SOBRE O ENSINO RELIGIOSO NAS ESCOLAS

religiõesreligiões unidas“Religião” é um termo de origem latina. Vem de “religare”, que significa “religar”. O termo mostra, assim, o seu objetivo: a religião religa o homem a Deus (ou aos Deuses), dado o afastamento humano do divino, pelos seus pecados e desatinos. Portanto, o homem que crê, quer reaproximar-se de Deus e esse caminho chama-se “religião”.

Escrevo logo após a polêmica decisão do STF, que estabeleceu que as escolas públicas devem continuar a oferecer o ensino religioso confessional, aquele que permite a promoção de apenas uma única crença nas aulas. Tudo leva a crer que foi no período do Neolítico que o homem começou a acreditar em uma entidade sobrenatural. Talvez aí tenha sido o “nascimento de Deus” ou, quem sabe, sua primeira apresentação às criaturas. Mas os caminhos para se chegar até Ele (ou Eles) sempre foram os mais diversificados. Diversas “religiões” ou “caminhos de religação” foram surgindo ao longo da história. Eram as diferentes religiões criadas pelo homem. Hoje, temos cerca de 10.000 religiões no mundo. Há mais religiões do que idiomas. Quantos foram os caminhos diferentes seguidos pelo homem, até hoje, para se religarem ao divino…

No entanto, aquilo que deveria unir os homens, muitas vezes os afastou. Guerras “religiosas” ou “santas” mancharam a história da humanidade de sangue e intolerância. Muitas, até hoje, separam homens, povos e crenças; dividem nações; espalham o ódio em nome de Deus.

No caso do Brasil, entendemos que a escola pública não é local para o “ensino de religião”.  Primeiro, porque tanto o Estado como o ensino são, por lei,  laicos. Segundo, porque religião não se ensina. A escola pode até falar, em determinados conteúdos disciplinares, dos diferentes caminhos do homem em sua busca por Deus. Isso faz parte da cultura das diferentes sociedades e, em grande parte, já é estudado em história, filosofia e sociologia. E já que o ensino religioso está mantido, receio que o modelo confessional represente algo que possa dividir e não unir as pessoas. Por que não juntar, em uma mesma turma, católicos, evangélicos, judeus, muçulmanos, umbandistas, kardecistas, budistas e quaisquer outros das cerca de 10 mil religiões, caso estejam na escola e queiram participar?

É necessário esclarecer que, ultimamente, além de ataques a templos religiosos, temos visto casos de intolerância religiosa até mesmo nas escolas. Recentemente, uma aluna praticante de uma religião espírita foi execrada na escola por seus colegas. Se estuda-se religião, deve-se estudar a história e, com ela, refletir sobre os erros dos homens no passado. O ensino religioso não-confessional seria bem mais interessante, no sentido de unir alunos e fazê-los ver que, no fundo, todos devem sentir-se bem com suas religiões ou até mesmo sem nenhuma. E, parafraseando René Descartes quando, na abertura de seu clássico “Discurso do Método”  disse que “o bom senso é a coisa mais bem dividida do mundo, porque todos se  acham dele muito bem dotados…” eu afirmo que cada religião deve ser o melhor caminho que religue o homem a Deus, pois cada um, em seu caminho, acha-se muito bem guiado ao seu destino. Que as escolas, portanto, permitam o encontro de diferentes caminhos (ou até “descaminhos”), com todos chegando, no fundo, ao mesmo lugar, em um ambiente de paz, respeito e que a religião consiga fazer com que os homens, antes de se religarem a Deus, liguem-se entre si, tendo a diversidade de crenças e o respeito a todas as demais como a base de tudo.

LULA SEGURA TEMER

av. paulistatemer corruptoA rejeição ao governo Temer é espantosa e histórica. As últimas pesquisas, divulgadas ontem, 28/9, em especial a CNI/Ibope, apontam que apenas 3% dos brasileiros aprovam o governo do Mordomo usurpador. A mesma pesquisa aponta que apenas 6% confiam no governo e, um dado emblemático: 59% da população consideram a gestão de Temer pior do que a de Dilma. Dilma foi tirada da Presidência.  Temer continua e, ao que tudo indica, até 31 de dezembro de 2018. Os votos para a rejeição de sua segunda denúncia pela Câmara já estão em avançado estado de negociação e também de putrefação.

Corrupção, compra de votos, malas com 51 milhões, diálogos subterrâneos no Jaburu,  ex-ministros presos, ministros atuais denunciados, o próprio presidente denunciado pela segunda vez pela PGR. Motivos muito maiores do que as “pedaladas fiscais” que levaram os derrotados odiosos a tungarem o mandato de Dilma é o que não faltam. Especialistas afirmam que, em qualquer país, Temer já estaria na cadeia. Dependendo do país, estaria na forca ou no pelotão de fuzilamento. Mas um elemento não incomoda Temer e sua quadrilha: as ruas estão vazias. E, com as ruas vazias, não há como tirar Temer porque seus aliados comprados não sofrem pressão.  Não há, como houve no caso de Dilma, o povo nas ruas. Aqueles que foram às ruas contra Dilma não têm dúvidas de que Temer é corrupto, de que ele compra votos no Congresso, de que  montou uma quadrilha no Planalto e, diga-se: estão até indignados e incomodados com isso. Mas qual o porquê da inércia dessa mesma gente que, por “pedaladas fiscais”, foi às ruas?

Todos os movimentos de direita, como o MBL, o Vem Prá Rua e até a própria FIESP, uma das patrocinadoras do Golpe de 2016, são unânimes em admitir que não vão às ruas porque o “Fora Temer!” significaria um fortalecimento do Lula.  Então, se ir às ruas clamar pela saída de Temer fortalece o Lula, deixa estar. Que Temer destrua o país, ataque nossos direitos, fortaleça sua organização criminosa. Tudo bem. Tudo para não fortalecer o Lula.

Enquanto isso, o projeto do governo Temer/PSDB vai avançando. Na base da corrupção, fisiologismo escancarado e crimes de diversos matizes contra o Estado Brasileiro. Isso nos leva a duas conclusões inequívocas: a primeira é a de que os “patos amarelos” não foram às ruas contra a corrupção. Se assim fosse, eles estariam de novo nas ruas. E a segunda conclusão é a de que, apesar de sítio em Atibaia, triplex no Guarujá, apartamento em São Bernardo, pedalinho, recibos de aluguel,  Sérgio Moro, Palocci, porradas da Globo, Lula continua à frente nas pesquisas e Temer deve agradecer todos os dias ao “sapo barbudo” por segurá-lo no poder.

PERIGO! ELE ESTÁ NO FACEBOOK!

sérgio cabral facebookfacebookOntem chegou a informação de que o bandido e ex-governador Sérgio Cabral reativou sua conta no Facebook. Há tempos eu já questionava como que outro bandido, o Eduardo Cunha, igualmente preso, conseguia publicar artigos em jornais diários e de grande circulação no Brasil. Afinal, bandidos encarcerados, e de altíssima periculosidade à sociedade,  podem ter esse tipo de comunicação com o mundo?

Sérgio Cabral, já condenado em dois processos dos muitos que responde, é o chefe de uma quadrilha que destruiu a economia e a dignidade do povo do Rio de Janeiro. Seu retorno ao Facebook pode ter várias motivações. Advogados e alguns parentes negam estarem administrando a página de Cabral na rede social.  Então, certamente, algum “laranja” deve estar fazendo este serviço sujo. Mas a coisa pode ir muito além do que foi noticiado como, por exemplo, o ex-governador defender-se de suas acusações e mostrar os benefícios (sic!) que fez ao Estado. Pelos menos, isso é o que tem sido propagado. Mas será que um bandido condenado e preso pode defender-se via redes sociais? Este seria o seu foro defesa? Não seria o Juízo?

Não podemos deixar de atentar para o perigo que pode representar, até para os processos aos quais responde, o retorno de Cabral às redes sociais. Até porque o Facebbok, assim como a internet de um modo geral, é um campo aberto ao crime. Pedófilos, neonazistas, racistas, traficantes de toda sorte e bandidos em geral criam páginas e grupos no Facebook para disseminar suas atividades criminosas. O que realmente levaria Cabral a reativar sua página na rede social? Se, de fato, não for um “fake” (e entendemos que isto deva ser investigado), então o perigo realmente ronda o ambiente. Depois de tudo o que este pulha fez ao nosso Estado, quem garante que ele não estaria abrindo grupos no Facebook para, com nomes fictícios e até com linguagem cifrada, combinar depoimentos com seus comparsas, incluindo aí a dona Adriana Ancelmo, a “bandoleira do Leblon”?

Seria importante que a Polícia investigasse quem é o suposto administrador da página, quem recebe as informações e também eventuais amigos. Sim, porque amigos de bandidos chefes de quadrilha podem estar sendo igualmente criminosos na associação com o crime.

Receio que Sérgio Cabral esteja entrando em nova era de sua vasta atividade criminosa: a dos crimes cibernéticos. E, na dúvida, temos que ter cuidado com nossos dados, nossas senhas, nossas páginas, nossos arquivos…. Enfim, cuidado. O perigo ronda. Ele está no Facebook!

 

SEGUNDA-FEIRA DE “CINZAS”

rock in riorocina 2Acabou mais uma edição do Rock in Rio e entendo o sentimento que os roqueiros devem estar tendo nesta manhã de segunda-feira: o mesmo que os foliões sentem na quarta-feira de cinzas. Se bem que os roqueiros têm duas semanas de festa, enquanto que o carnaval são só 4 dias. Mas dirão os roqueiros: “O Carnaval é todo ano e o Rock in Rio é de dois em dois anos.”  Tudo bem. Então empatou.

Esta edição do  Rock in Rio foi bem emblemática e marcou as contradições de uma cidade cosmopolita como o Rio de Janeiro. O drama vivido pelos moradores da Rocinha com a guerra entre traficantes e a entrada da polícia e Forças Armadas na comunidade ofuscou a evidência do maior festival de rock do mundo. Na “Cidade do Rock”, a festa. E, bem próximo dali, uma população sitiada e refém de uma guerra que lhes tira toda e qualquer dignidade. Muitos não puderam assistir ao festival nem pela TV. Mas este Rock in Rio também foi emblemático porque esta contradição de realidades geograficamente muito próximas espelha a verdadeira divisão que ainda existe na cidade. Com toda violência e até com algum risco, quem foi ao Rock in Rio de algum modo realizou seu sonho. Mas, do outro lado, ali na Rocinha, jovens tiveram sonhos, não efêmeros, sustados pela guerra: muitos não puderam sair de casa para fazerem a prova da UERJ; muitos estão sem ir à escola (não só na favela, mas também no asfalto); alguns ficaram em verdadeira “economia de guerra”, não podendo sequer sair para comprar alimentos. E aquela cervejinha de domingo então…  Nem pensar!

Não adianta, hoje, o sr. Roberto Medina, o dono do Rock in Rio, querer falar em “união pelo Rio de Janeiro, independente de ideologias”.  Não questiono seu mega potencial de empreendedor. Ele é um agente privado. Mas a história mostra que ele e sua família, há quase trinta anos, tentaram emancipar a Barra da Tijuca. Seu irmão, Rubem Medina, um dos deputados mais elitistas que já representou o Rio de Janeiro, capitaneou um projeto que era revanchista e segregacionista. No fundo, eles queriam ter a Barra para eles e, ao mesmo tempo, se vingarem do Brizola mostrando sua força política. O episódio da demolição da primeira Cidade do Rock pelo então governador Brizola foi uma reação ao ato de apropriação de espaço público para fins privados. E, se Brizola demoliu a Cidade do Rock,  Moreira Franco, o governador que os Medinas apoiaram, destruiu os CIEPs. Não resta dúvidas sobre qual demolição trouxe mais prejuízos a longo prazo para o Rio. E nem com Moreira Franco, o governador que eles apoiaram,  o projeto segregacionista dos Medinas evoluiu. Em 1988, quase nenhum morador compareceu ao plebiscito que decidiria pela emancipação da Barra da Tijuca, apesar das estratégias marqueteiras da Artplan.

É bom, nesta “Segunda-Feira de Cinzas”, trazer um pouco da história que perpassa e tangencia o maior festival de rock do mundo. Mas não adianta, quando a tempestade da guerra da Rocinha passar, seus moradores continuarem esquecidos e , vez por outra, literalmente,  fora do mapa, como fizeram no mapa turístico da Prefeitura.

Eles já tentaram dividir o Rio. Agora, o Sr. Medina fala em “união”. Talvez, se eles usassem seus poderes, influências e, principalmente capital, para apoiarem as políticas de inclusão de trinta anos atrás, ao invés de bombardeá-las, muitas coisas ruins não teriam acontecido. E não precisaria ele, em sua recente entrevista, dizer que o Rio “já teria que ter se unido há 40 anos”. Quem quis dividir a cidade foram vocês. Mas ainda temos mais 30 ou 40 anos pela frente. A missão ficará para a Robertinha. Ela aparenta ter outro perfil. Mas só o tempo dirá. Enquanto isso, vivamos nossas “segundas-feiras de cinzas”: uns, saudosos e satisfeitos, ainda de ressaca. Outros, tristes e se perguntando o porquê de, para eles, quase todos os dias serem de “cinzas”, embora não tenham cometido nenhum pecado.

 

 

O PT E O SUPOSTO BOICOTE A 2018

lula ptTeve grande repercussão esta semana a notícia de que o PT irá boicotar o pleito de 2018, caso Lula não possa ser candidato. Isso em razão de uma eventual condenação do ex-Presidente em segunda instância, caso o julgamento do recurso ocorra antes do pleito. Os petistas acrescentam que, sem Lula na disputa, o país poderia entrar em uma convulsão social e evoluir para uma guerra civil.

Previsões apocalípticas à parte, sinceramente não acredito em um boicote do PT às eleições de 2018. Se fosse o PT dos anos 80, essa hipótese seria até normal. Em 1985, por exemplo, o PT  boicotou o Colégio Eleitoral e não compareceu à eleição indireta de Tancredo, considerando ilegítimo aquele Colégio. Mas em se tratando do atual PT, não vejo condições para isso. Até porque, não participando das eleições e ficando sem representação no Congresso, o PT não teria acesso ao fundo partidário e, levando-se em conta o fim de financiamento de empresas aos partidos, o único apocalipse factível seria o fim do próprio PT.

Que o juiz Sérgio Moro é parcial, disso não há dúvidas. Que o juiz Sérgio Moro é seletivo, também não temos dúvidas. Na verdade, até para os adversários e inimigos de Lula, seria bem melhor que Moro, que já demonstrou grande simpatia ao PSDB e tem DNA tucano, além de não ter mãos pesadas em outros casos (como os das bandoleiras mulheres de Cabral e Cunha), ficasse impedido de qualquer julgamento em relação a Lula. Se o julgamento de Lula tem sido jurídico, ele também tem sido político. E, no Judiciário, não cabem juízos políticos.

Em relação ao suposto boicote, entendo que o PT poderia, isso sim, não lançar candidato e não apoiar nenhum outro para Presidente. Até porque não há nem no PT e nem em outro partido de esquerda ou centro-esquerda nenhum nome que herde o lastro eleitoral de Lula. Mas o PT poderia, isto sim, concorrer aos cargos legislativos, tanto no Congresso Nacional como nas Assembleias Legislativas. O PT teria nomes para fazer grandes bancadas e ser uma oposição como sempre foi. E, o melhor de tudo: reencontrar Aécio, o “matador de delatores”, na… Câmara dos Deputados. Isso se o “playboy do Leblon” conseguir ser eleito deputado federal.

 

A CISÃO DO NINHO TUCANO

alckmin dóriaracha psdbHá tempos estamos falando dos voos altos que João Dória, o “Prefeito Engomadinho do Tietê”, vem forjando. E não é de hoje. O discurso que o levou à prefeitura da maior cidade do Brasil preenche exatamente a agenda da nova direita em ascensão sem, pelo menos manifestamente, conter ataques de “parapsicopatias à la Bolsonaro”. E as pretensões do “Jânio de Grife”  tem colocado a criatura em rota de colisão com seu criador: Geraldo Alckmin. Se os tucanos já estavam divididos em relação ao ilegítimo e golpista governo Temer, agora as pretensões do Engomadinho irão acirrar essa divisão.

Diferentemente de Alckmin, a agenda de Dória é cristalinamente direitista e prevê, assumidamente, desde a privatização da Petrobrás, passando pela criminalização dos movimentos sociais e um discurso anti-lulista e anti-petista que faz lembrar o político romano Catão, o Antigo, em sua obsessão em relação ao inimigo nas Guerras Púnicas com seu famoso “Delenda est Carthago” ou “Cartago deve ser destruída”, substituindo-se apenas “Cartago” por “Lula”. Recentemente, Dória afirmou que, após derrotar Lula, o próximo passo seria colocá-lo na prisão. Sei não mas, subliminarmente, o Engomadinho está admitindo enfrentar Lula na eleição. Mas ele não seria preso antes disso?

As viagens de Dória e seus discursos pelo Brasil afora, seja presencialmente ou pelo mundo digital (ele mesmo admitiu que, pelo celular, acompanha tudo), dão o tom de seu projeto que nada tem de “apolítico”. E ele sabe que terá que viajar muito, seja a pé, de avião ou de celular. Isso porque, embora seja prefeito da maior cidade do Brasil, é inegável que trata-se de alguém provinciano e pouco conhecido nacionalmente. Suas visitas ao Nordeste, região que tem tudo para, novamente,  ser a fiel da balança eleitoral, não deixam dúvidas em relação ao seu projeto.

Enquanto isso, Alckmin mantém-se discreto, esperando a hora da escolha do candidato. O Engomadinho tem sido bem mais agressivo do que o religioso Alckmin. Em suas declarações, Alckmin, pelo menos no discurso, afirma ser necessário o diálogo. Dória não quer conversa. Em alguns momentos, Dória dá a entender que seria um “Bolsonaro sem farda, mas com porrete”.

A divisão está bem clara e pode evoluir para uma dissidência. Dória tem sido cortejado por partidos de direita, que encampariam sua candidatura. O DEM poderia ser um dos destinos do Engomadinho. Se isso acontecer, uma pulverização de votos da ala direitista pode beneficiar um candidato de esquerda, ainda que este não seja o Luiz Inácio. E o Engomadinho poderia ser duplamente derrotado: tanto nas urnas, como por não ter prendido o “sapo barbudo”. A conferir.

MALVADOS FAVORITOS

cunhajoesleyEduardo Cunha e Joesley Batista. Ambos bandidos. Ambos presos. Ambos, por muito tempo, amigos de Temer, tanto nas negociatas e golpismos como em  encontros subterrâneos na calada da noite no Jaburu. Os dois fizeram danos irreparáveis ao Brasil. O primeiro, como agente público,  tornou-se o ícone da corrupção e da chantagem. O segundo, como empresário, distribuía propinas para obter vantagens do governo.

Em abril de 2016, quando do golpe do impeachment, Cunha acabou tendo um papel decisivo. Após chantagear Dilma, o que sempre foi o seu “modus operandi”, acabou aceitando o pedido de impedimento da Presidente, apresentado por Bicudo, Reale Jr. e Janaína “Toda Louca”. Desde então,  golpistas de todos os matizes passaram a eleger Cunha como uma espécie de “malvado favorito”, alegando que, apesar de todos os seus crimes, Cunha teria feito um bem ao país ao aceitar o pedido de impeachment. Sem ele, Dilma não sairia.  Coisa que o “boneco de massa de estimação do Temer” que hoje preside a Câmara dos Deputados jamais fez e jamais fará. Cunha era visto por essa gente como um bandido bom, mas que não precisava ser morto. Motivados pelo ódio e por jamais terem aceito o resultado das urnas em 2014,  eles se refastelaram em suas explosões de ódio e vingança. Devem estar se refastelando até hoje com Temer, Rocha Loures,  Geddel, Gato Angorá e seres afins.

Mas, seguindo o mesmo raciocínio, então Joesley, não obstante seus crimes, fez um bem ainda maior para o país. Desde quando o escândalo do Jaburugate veio a público, em maio deste ano, que a reforma da previdência está travada no Congresso. Temer e sua quadrilha vêm concentrando suas articulações (leia-se: compra de votos) para que as denúncias da PGR sejam barradas na Câmara. Com isso, a reforma da previdência ficou parada. Agora, com a nova denúncia apresentada pelo ex-Procurador Janot, mais tempo será gasto na compra de votos para que a mesma seja barrada. Com isso, a reforma da previdência fica estagnada. Isso é bom para os trabalhadores, principalmente para os mais jovens. Tudo indica que, mais uma vez, esse Congresso cúmplice, covarde e vendido irá rejeitar as denúncias da PGR, mantendo o mordomo-usurpador no poder. Mas, com isso, a reforma da previdência vai erodindo.

É… parece que, se as gravações dos porões do Jaburu não serviram para tirar o Temer, elas estão protelando e ameaçando o trâmite  da criminosa reforma da previdência.  Tomara que, pelo menos para isso,  aquele nefasto diálogo que veio a público em maio venha servir.