TEMER E A ENTREGA DA AMAZÔNIA: 50 ANOS DEPOIS DE LUDWIG

ludwigprojeto jariJá faz tempo. Muito tempo. Foi em 1979, quando ingressei na Universidade e tínhamos uma disciplina denominada Estudo de Problemas Brasileiros (EPB). Era uma disciplina do ciclo básico de todos os cursos e, geralmente, os alunos a consideravam “um saco”. Estávamos em plena ditadura militar e, embora o AI-5 tivesse sido revogado no ano anterior, por pressões populares, as universidades ainda eram monitoradas pelo sistema. A disciplina EPB era obrigatória. Era uma espécie de “Educação Moral e Cívica” dos cursos superiores. Mas tudo dependia, evidentemente, dos professores. E foi logo em meu primeiro ano de Universidade, com essa disciplina, que tive a sorte de ser aluno da professora Claudete. Foi em seu curso que, pela primeira vez, tomei contato com o entreguismo dos governos militares em relação à Amazônia. Na ocasião, tive a oportunidade de assistir a uma palestra do saudoso Modesto da Silveira, que a professora conseguiu levar até a nossa turma para falar sobre o ambicioso Projeto Jari. Também estudávamos o livro de Fernando Henrique Cardoso, na época ainda um ícone das esquerdas.

Entregar a Amazônia para a exploração privada, notadamente estrangeira, não é algo criado pelo golpista Temer. Há exatos 50 anos, em  1967, o governo militar vendeu uma grande extensão da Amazônia ao bilionário norte-americano Daniel Ludwig, que tinha a ambição de montar seu agronegócio naquela região. Daniel Ludwig era dono de um vasto império do agronegócio e a região que ele comprou para a produção de celulose localizava-se quase que no mesmo local onde encontra-se a Reserva Nacional do Cobre, que hoje Temer quer privatizar e que já aguça as ambições estrangeiras.  A região adquirida na época dos governos militares por Daniel Ludwig equivalia ao Estado de Sergipe e ficava entre o Amapá (na época, Território Federal e não Estado) e o Pará. Foi um entreguismo de fazer inveja ao mais ortodoxo dos udenistas. A devastação ambiental e a violação da soberania nacional já eram denunciadas, bem antes de a Lins Imperial e a Imperatriz Leopoldinense denunciarem em seus enredos a destruição da Amazônia brasileira em transações escusas do agronegócio e de mineradoras.

A portaria assinada pelo presidente-golpista permite a privatização de uma gigantesca área da Amazônia, bem próxima à que foi vendida ao bilionário norte-americano há 50 anos. Situa-se também entre o Pará e o Amapá e a região equivale ao território do Estado do Espírito Santo. Num momento em que cientistas, através da SBPC (Sociedade Brasileira Para o Progresso da Ciência) denunciam as agressões do governo Temer ao cortar investimentos em ciência e tecnologia, universidades tendo cortes em diversos projetos de pesquisa, algumas sem o mínimo de condições para funcionarem, Temer apresenta mais um projeto agressivo não apenas ao meio-ambiente e às reservas indígenas, mas, em especial, à soberania nacional. Há tempos, ainda antes do sr. Daniel Ludwig, que a Amazônia é objeto de cobiça de grupos estrangeiros. E agora, dentro do projeto entreguista do Sr. Temer e seus comparsas, o governo golpista quer vender mais um pedaço da soberania brasileira. Não imaginávamos que, após a indignação causada na época pelo Projeto Jari, teríamos um “remake” 50 anos depois. Fiquemos alertas. Salvar a Amazônia de mais esse ataque é lutar pela soberania, independente de bandeiras partidárias. Não se trata de “coisa de esquerdista”. Até os nacionalistas de direita devem entrar nesta luta. “Novos Ludwigs” estão a caminho. Tomara que, dessa vez, o Brasil saia vencedor.

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