MADURO, TEMER E O IDH

idhA ONU publicou, como faz anualmente,  o “ranking” do IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), referência internacional para avaliar a qualidade de vida nos países. Chama a atenção e, claro, causa espécie, o fato de a Venezuela estar à frente do Brasil. Isso mesmo: para a minha, para a nossa surpresa, segundo a ONU, a qualidade de vida no país de Maduro é melhor do que no país de Temer. Os dados são de 2016, quando o caudilho bolivariano e o golpista brasileiro já estavam no poder. A diferença não é tão grande, mas chama muito a atenção e, claro, é um convite à reflexão: segundo a ONU, a Venezuela ocupa a posição 71, com o IDH de 0,767. Já o Brasil está na posição 79, com o IDH de 0,754. Ressalte-se que a ONU é um organismo internacional dominado, inclusive, por países hostis ao governo venezuelano, o que ainda causa mais questionamentos em relação aos caminhos que levaram a ONU a tais números. A despeito de variadas interpretações que o tema possa suscitar, quero abordar, principalmente, o que pode ter acontecido com o Brasil a partir de 2016.

É sabido que os dois países sofrem uma crise de legitimidade. Pois, se Maduro é questionado lá, Temer também é muito questionado aqui. Ambos vivem uma crise política e de representatividade. Mas o caos econômico e social em que o Brasil entrou a partir do golpe iniciado em abril de 2016, golpe este ainda em curso com os ataques aos direitos sociais e trabalhistas,  pode muito nos explicar essa posição vergonhosa e inacreditável em que nosso país chegou. As violências contra programas sociais, de saúde, educação, ciência e pesquisa que vem sendo feitas pelo governo golpista de Temer dão o tom de como o Brasil pós-golpe de 2016 ficou. E não estamos falando apenas em esvaziamento do programa Bolsa-Família, porque o IDH leva em conta vários outros indicadores de qualidade de vida, como saúde, educação, cultura, renda. É necessário esclarecer que o IDH foi criado para ser um contraponto a aferições exclusivamente econômicas, mas que muitas vezes são contraditórias. Por isso que a concentração de renda é um dado que faz o país despencar no IDH e isso se acentuou no governo golpista de Temer. O IDH é interessante porque não deixa de ser uma máscara que cai, ou uma cortina de fumaça que desaparece. Ele vai sempre contra os discursos oficiais do tipo “vamos crescer tantos por cento no próximo ano, e já estamos crescendo…” Ou do tipo “somos a oitava economia mundial…” Isso porque o crescimento econômico não acompanha a divisão dos seus benefícios. É a velha história de “um país rico e um povo pobre.”

 A chegada de Temer ao poder com o golpe de 2016 levou o Brasil, e isso não é coincidência, ao caminho de volta ao mapa da fome feito pela própria ONU. Em algumas regiões, inclusive, temos verdadeiros bolsões de pobreza, que incidem na expectativa de vida. A criminosa reforma da previdência proposta por Temer fará, inclusive, com que em algumas regiões as pessoas não se aposentem. Morrer trabalhando será o destino de pessoas onde a expectativa de vida é menor do que o tempo para se aposentar. O Brasil, queiram ou não, havia saído desse vergonhoso mapa da fome nas gestões petistas e isso é um fato histórico, não uma invocação política.

Não vamos entrar naquele jogo de dizer que estamos defendendo o governo de Maduro na Venezuela. Até porque Simon Bolívar queria a América unida em um único Estado e o que aconteceu foi o oposto. O ideal pan-americano de Bolívar fragmentou-se em caudilhos de ocasião. Portanto, quero que o Maduro se exploda. Quanto ao Temer, esse eu quero é que se foda mesmo.

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