BERNARDINHO, PARTIDO NOVO E AS REGRAS DO JOGO

novoBernardinho, o ex-técnico vitorioso da seleção brasileira masculina de voleibol,  deverá ser candidato a Governador do Rio de Janeiro pelo Partido NOVO. O Partido NOVO é um partido que se apresenta como inovação na política brasileira. Eles dizem que representam uma nova geração de pessoas competentes para administrarem os negócios do Estado. Tanto que é constituído por pessoas de fora do círculo político tradicional. Será?  É a velha pecha do “eu não sou  político, sou administrador, gestor, empreendedor, executivo de excelência…” O partido é presidido por um banqueiro, João Amoedo,  e sua plataforma é bem clara:  trata-se de um partido de direita, liberal, que apóia as privatizações das estatais e é contra a política de cotas. Só para darmos alguns exemplos. E essa agenda direitista e reacionária se apresenta sob o manto de “Novo”.

Quanto a Bernardinho, este é bem conhecido: um dos maiores campeões esportivos do país, medalhista de ouro olímpico, um técnico que entrou para a história do esporte brasileiro não apenas por suas vitórias, conquistas e liderança, mas também pela sua simpatia, carisma e excelente caráter. Mas Bernardinho não tem nada de “apolítico”. Antes de entrar para o NOVO, ele era do PSDB. Bernardinho, apesar de ótima pessoa, é amigo do bandido confesso Aécio Neves, que teve não apenas o seu voto, mas todo seu apoio em 2014, na eleição em que o “matador de delatores” foi derrotado.

Apresentados o partido e o candidato, como podemos ver a candidatura de Bernardinho ao governo de um Estado falido, entregue às “traças e baratas dos transportes”, um ex-governador presidiário e réu em dezenas de processos, a segurança e os hospitais abandonados,  servidores desrespeitados e uma Assembleia Legislativa predominantemente aliada  e cúmplice de fortíssimos “lobbys”  de empresas envolvidas em escândalos? Será que Bernardinho conhece bem as regras do jogo político? Porque a política pode ser considerada um jogo com regras e essas regras não foi ele quem fez. Essas regras referem-se ao sistema político brasileiro, que impõe determinadas condições de governabilidade, que ele certamente terá que ir buscar. Isso implica em diálogo, negociação, interlocução com a Assembleia Legislativa. Fico imaginando, por exemplo,  uma negociação entre o Bernardinho e Picciani para a aprovação de um projeto. Fico imaginando como seria a negociação do “Governador Bernardinho” com deputados para formar o seu governo. Como seria o seu secretariado? Totalmente técnico? Mas, e as regras do jogo político? Será que ele governaria sem se submeter a essas regras? A conferir, no caso desse grande desportista ser eleito.

Eu, por exemplo, não gosto de voleibol. Não conheço quase nada do esporte. Acho que só sei que não pode invadir a quadra adversária e nem tocar na rede. Não gosto e pouco conheço. Mas, se eu quiser participar desse jogo, terei que conhecer e seguir todas as regras. Mas como Bernardinho pertence a um partido presidido por um banqueiro, favorável às privatizações (olha a CEDAE aí!), e com ótimas relações com o PSDB, acredito que nosso grande desportista não tenha muitas dificuldades para entrar nesse jogo e seguir suas antigas regras. Mesmo sendo “novos” ele e seu partido.

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