A VOLTA DO MDB – OUTRA CILADA GOLPISTA

downloadUm fenômeno se alastra pelo meio político-partidário brasileiro: quase nenhum partido político quer mais chamar-se “partido”. As antigas siglas estão invocando nomes libertários, patrióticos ou que lembrem poder ou motivação. Até o Obama tem inspirado essa gente: “yes, we can!” A palavra “partido” tem andado tão desgastada que algumas legendas concluíram que um partido político receber esse nome pode significar repulsa nas urnas. Aqueles que não trocaram seus nomes para palavras libertárias ou motivacionais, agora estão tirando a letra “P” de suas siglas. E eis que nos chega a notícia de que o PMDB irá tirar o “P” de sua sigla, voltando a ostentar a antiga sigla MDB, que tanto marcou a história de resistência à ditadura militar. O anúncio foi feito pelo senador Romero Jucá, presidente do partido,  aquele que disse que “era necessário tirar a Dilma para fazer um grande acordo com o Judiciário e estancar a sangria da Lava Jato.”  É mais um golpe, que parte de um partido atolado em denúncias (muitas comprovadas) de corrupção, isso sem contar sua incorrigível vertente golpista. Jucá diz que quer, com a mudança, “levar o partido para as ruas”. Mas o que se pretende mesmo é confundir o eleitor, como se ele fosse capaz de esquecer da podridão em que se transformou o PMDB.

É necessário esclarecer que o atual PMDB é uma continuidade natural do antigo MDB, mas apenas sob o aspecto formal. O atual PMDB nada mais tem a ver com o antigo MDB.

Sua origem remonta a 1965, quando o governo militar impôs o Ato Institucional  Número 2 (AI-2), que acabava com os partidos políticos formados desde 1945 e criava condições para a formação de apenas dois partidos políticos: era o bipartidarismo. Assim, em 1965, surgem a ARENA (Aliança Renovadora Nacional), que era o partido de apoio ao governo militar, e o MDB (Movimento Democrático Brasileiro), partido de oposição. O MDB representou a resistência ao regime militar e cresceu a ponto de fazer o governo criar uma reforma partidária para eliminá-lo. O antigo MDB tinha várias tendências abrigadas na sigla, mas aglutinava nomes de respeito e de grande contribuição na luta pela democracia, pela conquista dos direitos políticos, na luta pelo país à volta do Estado de Direito e nas denúncias das arbitrariedades da ditadura. Só para citar alguns, tínhamos Ulysses Guimarães, Teotônio Vilela, Márcio Moreira Alves, Francisco Pinto, Lysâneas Maciel, Dante de Oliveira. Nomes que sempre deverão ser lembrados como ícones das lutas democráticas na história brasileira.

Com a Reforma Partidária de 1979, imposta pelo governo militar, foram criadas as condições para a volta do pluripartidarismo. Mas, na verdade, essa reforma foi um ardil do regime militar para dividir as oposições, em razão do crescimento do MDB e de uma pesquisa do próprio SNI, que indicava que o partido oposicionista seria vitorioso no próximo pleito. A Reforma Partidária de 1979 obrigava todos os partidos a terem os seus nomes iniciados pela palavra “partido”. Assim, todas as siglas começariam com a letra “P”. Como o MDB tinha um grande lastro histórico, e para não perder a sua identidade, colocou-se apenas a letra “P” antecedendo o “MDB”. Surgia o partido do atual golpista que preside o Brasil. O PMDB, no entanto, seguiria um viés totalmente diferente da sigla que o originou, tornando-se um partido marcado pelo governismo, clientelismo, fisiologismo e, com o passar do tempo, corrupção generalizada e atividades criminosas e subterrâneas, em doses industriais. Se o antigo MDB foi uma sigla de referência em termos de lutas democráticas, o mesmo não se pode falar do atual PMDB, que não honrou sua sigla antecessora. Hoje, temos o PMDB de Temer, Jucá, Moreira Franco, Renan Calheiros, Sérgio Cabral, Pezão, nomes que causam repugnância a qualquer pessoa de bem, independente de sua preferência política. E esses mesmos nomes querem se apropriar de uma sigla que não os identifica, porque eles não estão a serviço da democracia. Eles estão a serviço de um golpe, ainda em curso, que também pretende livrá-los do ajuste de contas com a Justiça. Ressurgindo, a sigla MDB será uma impostura nas mãos desses elementos. Assim como é o PTB atualmente, que nada tem a ver com Getúlio, Jango ou Brizola. Uma volta da sigla MDB não significa uma volta das lutas pela democracia. Significa uma apropriação criminosa de uma sigla que exerceu um papel histórico importante no país por um grupo que, além de saquear o poder , quer saquear a nossa memória. Significa, enfim, uma “pirataria partidária”.

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