NOVAS EMBALAGENS, VELHOS CONTEÚDOS

arenaintegralismodownload“PODEMOS”, “AVANTE”, “LIVRES”, “MUDA BRASIL”,  “PATRIOTAS”, “FORÇA BRASIL”, “MOVIMENTO CIDADÃO COMUM”, “NOVO”

Parece até que são palavras de ordem. Mas não são. São nomes de novos partidos políticos, não necessariamente siglas, alguns já com registro do TSE, outros em andamento. A estratégia é antiga. Mudar nomes, escondendo sua real ideologia ou para substituir uma sigla que esteja desgastada junto à opinião pública ou ainda dar roupagem nova ao que há de mais velho e ultrapassado na política. Diversos podem ser os motivos que levam partidos a mudarem de nomes e a coisa não começou agora.

Só para darmos alguns exemplos: em 1945, após a ditadura estadonovista, os seguidores do fascismo brasileiro, que pertenciam ao Integralismo, fundaram o PRP (Partido da Representação Popular). A turma do “Anauê” de Plínio Salgado criava um partido seguidor do fascismo que se dizia de “representação popular”. Quando ocorreu a reforma partidária após a ditadura militar, o antigo partido que defendeu a ditadura, a ARENA,  transformou-se em PDS (Partido Democrático Social). Ou seja, o partido que apoiou a ditadura chamava-se “democrático”. Além do que, era preciso acabar com o nome ARENA, partido muito desgastado junto à opinião pública com o avanço das lutas pela democracia no país.

E há algum tempo temos visto os partidos mudarem de nomes, com a finalidade de dar “pompa”, “rótulo” e invocar palavras libertárias, de caráter democrático ou humanista em suas denominações. O PFL, partido tradicionalmente caciquista e um dos maiores representantes da direita brasileira,  transformou-se em DEMOCRATAS. Isso sem falar no SOLIDARIEDADE, do Paulinho da Força. Todos de direita. Todos pró-impeachment. Todos pró-Temer. Todos pró-reformas trabalhista e previdenciária.  Mas eles não querem mostrar suas caras atuais e nem antigas. Isso mesmo, antigas. Porque se fizermos uma “árvore genealógica” dos partidos políticos brasileiros, poderemos facilmente identificar as suas gêneses.  Um exemplo:  O DEM (Democratas) era PFL, que era PDS, que era ARENA, que era UDN. Basta pegar qualquer político mais antigo do partido e ver que ele foi lacerdista, apoiou o golpe militar, foi arenista, foi pedesista, pefelista e hoje é DEMOCRATAS.

O descrédito da opinião pública nos partidos, que efetivamente não representam os interesses da população, está levando os seus dirigentes, assustados com o que pode acontecer em 2018, a subterfúgios como esses. Até o PMDB quer tirar a letra “P” de sua sigla e voltar a ser “Movimento Democrático Brasileiro”. Aliás, percebe-se claramente, que uma das estratégias dessas novas nomenclaturas partidárias é tirar de seus nomes a própria palavra “partido” de suas denominações. Os novos nomes invocam, na maior parte das vezes, ideias vagas, genéricas e que sugerem até uma ocultação ideológica: “Livres”, “Patriotas”, “Novo”, “Força Brasil”, “Muda Brasil”, dentre outros, são nomes que não estampam qualquer conteúdo ideológico e podem, certamente, confundir o eleitor, diferentemente de partidos que tenham em seus nomes palavras como “liberal”, “socialista”, “trabalhista”, “comunista”, “social-democrata”, “nacionalista”,  etc.

Mas há um detalhe que chama a atenção: se pesquisarmos, veremos que esses novos nomes de partidos são apenas novas embalagens para velhos conteúdos, que mantêm, em sua maioria, as velhas agendas neoliberais e de ataques aos direitos trabalhistas, a sindicatos e a movimentos em defesa de minorias. Não vemos partidos de esquerda entrarem nessa onda.  Não temos notícias de PSOL, PC do B, PT, PSTU e outros partidos de esquerda estarem pensando em mudar os seus nomes.

É triste presenciarmos os passos tímidos em que a democracia brasileira caminha. Tudo isso faz com que percamos as referências de representatividade em uma democracia dita representativa. Os partidos são a base de representação dos diversos interesses da sociedade e eles devem ser a referência para o exercício do direito de voto. O “distritão”, que personifica e, em grande parte, “despartidariza” as eleições,  já é um caminho para acabarem com as referências partidárias. E agora temos os novos rótulos, que em si não significam nada, mas podem significar muita coisa: iludir o eleitor, esconder sua linha ideológica, perpetuar caciques na política, apresentar o velho como novo. Cuidado! Os rótulos muitas vezes são enganadores. O mesmo pode acontecer com partidos que se apresentem como “novos” (sem trocadilho). Pesquise a genealogia do partido e do candidato. Senão, pode acontecer fato análogo ao que ocorreu com  um amigo que comprou um livro intitulado “O Corpo Humano”, pensando que o livro fosse sobre biologia, mas o livro era de poesias. Do mesmo modo, você pode votar em um partido que se apresente como “novo” (mais uma vez, sem trocadilho), e ele represente o que há de mais antigo e ultrapassado na política brasileira.

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