ESCOLA SEM PARTIDO PARA QUEM?

escola sem partido“Convidamos Bolsonaro, salvação dessa Nação…” Esse é o trecho de um vídeo que circula pela internet, mostrando alunos do Colégio Militar da PM Waldocke Fricke de Lyra,  no Amazonas,  exaltando o deputado presidenciável da extrema-direita. A cena é chocante, porque lembra a Juventude Hitlerista implantada na Alemanha durante o regime nazista. Em outro trecho, os alunos falam: “Tenho audácia suficiente para convidar Bolsonaro…” O vídeo em questão refere-se ao convide feito ao deputado Bolsonaro para que ele compareça à formatura da turma do colégio, que é um dos colégios militares da PM do Estado do Amazonas. Não há problema algum em um deputado, de qualquer partido, ser convidado para uma formatura, em qualquer colégio. O grande problema está, dentre outros, na frase entoada pelos alunos que  abre o artigo. É inequivocamente uma doutrinação ideológica favorável ao deputado ultra-direitista, feito dentro de um estabelecimento público de ensino.

O episódio chama muito a atenção porque a Família Bolsonaro (tanto o patriarca como seus filhotes) defende abertamente o projeto conhecido como “Escola Sem Partido”. Trata-se do Projeto de Lei 867/2015, de autoria do deputado tucano Izalci e que, em poucas palavras, altera a atual LDB, incluindo a chamada “neutralidade ideológica” no ensino. Justifica-se o projeto para que não haja “doutrinação político-ideológica” dos alunos no processo ensino-aprendizagem. O artigo 7 do projeto prevê, inclusive, de forma bem nítida, a censura aos livros adotados e até às provas e outros instrumentos de avaliação elaborados pelo professor.

Chama a atenção o fato de que todos os grupos que se dizem defensores do “Escola Sem Partido” não terem, até então, se manifestado. Cadê a coerência dessa gente? Cadê o MBL, ferrenho defensor do projeto? Cadê o PSDB, partido do autor do projeto? Cadê os grupos direitistas e neofascistas, que apoiam o projeto por dizerem que ele “acabará com a doutrinação comunista nas escolas”? Afinal, o “Escola Sem Partido” é para quem? Não é difícil responder a esta pergunta. Reflitam:

Na verdade, o projeto “Escola Sem Partido” atingiria somente a Lei 9394/1996, a atual LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional). O texto do projeto é claro: ele altera apenas a LDB, e nisso eles foram cuidadosos e cirúrgicos.  Isso porque o ensino militar é regido por outra legislação. Portanto, o ensino militar estaria fora do escopo do projeto “Escola Sem Partido”. Logo, vem a inevitável pergunta, que dá título ao nosso artigo: Escola sem partido para quem? Agora, quem não sabia, ou fingia não saber, já sabe a resposta.

No fatídico vídeo, o senhor Bolsonaro aparece dizendo que o colégio “é um exemplo de ensino, que deveria ser adotado em todas as escolas públicas do Brasil”. Conta outra, cara-pálida!

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