O DILEMA SHAKESPEARIANO DOS TUCANOS

psdb temershakespeare“Ser ou não ser governo Temer”:  eis  a grande questão dos golpistas tucanos que, ao co-patrocinarem o golpe de 2016, não tinham noção da ratoeira em que se meteriam apoiando Temer e seus comparsas. Ao tornarem-se cúmplices do governo mais impopular da história do Brasil, que já  beira os 80% de rejeição, os tucanos começam a perceber que talvez fosse melhor não entrarem na onda golpista e deixarem a presidente Dilma concluir o seu mandato e, então, fazerem uma oposição sem golpe. Mas agora é tarde. E eles sabem que a enrascada em que se meteram faz, a cada dia, uma erosão no candidato do partido para 2018, seja ele Alckmin, o Prefeito Engomadinho do Tietê ou qualquer outro (Aécio, o homem que disse que mata, já morreu para 2018).

A verdade é que a sinuca em que o PSDB se meteu vai além do dilema de Shakespeare. Isso porque, na verdade, eles são e não são o governo Temer. Eles apoiam as reformas, mas querem se desgrudar e mostrar independência; eles têm Ministérios, mas eles querem se desgrudar e manterem independência; eles se dizem fiéis, mas cabeças brancas e pretas do partido não se entendem. Eles são cínicos e oportunistas: eles querem o bônus sem ônus. Claro que Ministérios são sinônimo de votos. Estando no poder, eles ficam com parte da máquina. Mas apoiar Temer, para quem tem a  ambição política de ganhar a Presidência da República, até o fim desse governo corrupto e ilegítimo, pode colocar tudo a perder. O interregno que vai do recesso parlamentar até o dia 2 de agosto, quando será votado o relatório comprado feito por Paulo Abi Ackel, vulgo “Diamante”, terá que ser decisivo. Isso porque, no dia 2 de agosto, não poderá haver pantomima. O rito da votação do relatório comprado por Temer será similar ao do impeachment e todos terão que mostrar as suas caras, ainda que sem-vergonhas, e dizer “sim” ou “não”. Sem pantomimas. Arrisco-me a dar um palpite com o qual os tucanos jamais concordariam, mas que é absolutamente conjecturável: no fundo, os tucanos, em sua maioria, querem votar contra o Temer. O plano deles talvez seja: “votamos contra o Temer; mas queremos que o Temer ganhe;  o Temer ganha e permanece no cargo; mostramos ao povo que votamos contra o Temer e continuamos apoiando as reformas.” É algo do tipo: “eu vou votar nisso para dar uma satisfação aos eleitores, mas quero que aquilo outro vença a votação. Assim, o que eu quero vence e eu preservo a minha imagem junto ao povo”. É necessário esclarecer que esse algoritmo faz sentido em relação ao PSDB, principalmente se levarmos em conta que o perfil do seu eleitorado, nitidamente conservador, pertence a uma classe média “moralista pudica”, que lembra muito a antiga UDN. E essa fatia importante do eleitorado tucano está nos 80% que rejeita Temer.  Claro que até 2 de agosto, muita coisa pode acontecer. Muitos dos golpistas estão vendo fantasmas. Rodrigo Maia, o “Botafogo”, virou um fantasma para o Mordomo usurpador. Os saqueadores não se entendem na divisão do butim. Entre eles, não há amigos. Há cumplicidade e todos só seguem o cheiro do poder, visando ganhos e manutenção de eventuais impunidades. Claro que, hoje, o PSDB está arrependido de ter entrado na onda do golpe. E, até outubro de 2018, mostrar aos eleitores que não teve nada a ver com o governo Temer, vai ser muito, muito difícil. Enquanto isso, Lula anuncia que fará uma romaria pelo sertão nordestino, viajando de ônibus, lembrando as suas caravanas do passado.  Outro fantasma no ninho tucano. É… Eles não são o Lacerda, mas parece que deram um tiro no próprio pé. E não adianta sumir com o prontuário do Hospital ou mudarem a cena do crime. Agora é tarde playboy…

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