JUCÁ, DALLAGNOL E BARRICHELLO

barrichello“Temos que tirar a Dilma,  fazer um grande acordo com o Judiciário e estancar a sangria da Lava-Jato.” (Senador Romero Jucá, do PMDB, em gravação que veio a público em maio de 2016).

“A Lava-Jato está sendo sufocada.” (Deltan Dallagnol, Procurador da República e Coordenador da Força-Tarefa da Lava-Jato, em 28 de Julho de 2017).

“Tô começando a acreditar que foi golpe!” (“Rubinho Barrichello”, em brincadeira que rolou no Facebook em 28 de Julho de 2017).

Parece que, pela primeira vez, quem tentou sacanear o Rubinho Barrichello pela internet se deu mal. Nunca o cara esteve tanto no horário correto, e até sincronizado, com o Procurador da República, em relação ao que estava destinado ao país após o golpe parlamentar de abril de 2016. O senador peemedebista Romero Jucá, um dos maiores articuladores da saída de Dilma da Presidência, no nefasto diálogo com Sérgio Machado já urdia o mote do golpe que levaria o Mordomo e seus comparsas ao poder: o negócio era tirar mesmo a Dilma para frear a Lava-Jato. Esse diálogo foi uma confissão, uma cristalina obstrução de justiça e esse bandido, até hoje, está exercendo o seu mandato de senador para acobertar os seus crimes e os do seu capo do Jaburu. A blindagem de Temer a seus Ministros denunciados e investigados corroboram a profecia de Jucá. Tudo conforme o combinado. Mas tinham, em primeiro lugar, que tirar a Dilma.

Deltan Dallagnol, o “homem das convicções sem provas”, que disputa com Moro o trono de ídolo dos coxinhas, finalmente ontem caiu na real. Em entrevista coletiva parece que, dessa vez, ele teve mais provas do que convicções e, finalmente, admitiu que a Lava-jato está sendo sufocada pelo governo. Aquilo que os “moralistas da Avenida Paulista” consideravam o maior patrimônio do Brasil (a Lava-Jato), teve um corte de 400 milhões e a redução do número de delegados em menos da metade. Claro que a capacidade investigativa da operação irá se deteriorar, até ficar agonizante, como previu Jucá no nefasto diálogo com seu comparsa. O próprio Ministro da Justiça,  Torquato Jardim, admitiu em entrevista que isso poderá implicar em um processo seletivo de ações e operações (como se isso já não existisse!). Enfim, as coisas estão mais claras e não se pode mais falar em teorias conspiratórias. Mas ainda cabe uma pergunta: a tal “seletividade” à qual o próprio Ministro da Justiça se refere, irá mirar os canhões para quem? Já que há contingenciamento de verbas e não dá para investigar a todos, então  só poderemos investigar alguns. O raciocínio é lógico e não político-jurídico. Ganha um doce quem acertar para quem serão apontados os canhões.

Parece que o terreno está livre para os golpistas. A compra dos votos por Temer o blindará de sérias denúncias criminosas; a letargia dos que pediam pelo fim da corrupção em 2016 dá fôlego a Temer. Isso sem contar que o recente aumento dos impostos sobre os combustíveis não mobilizou os moralistas,  os caminhoneiros e nem as “donas de casa bem comportadas colecionadoras de ursinhos de pelúcia”. Todos dormem em berços esplêndidos. No Rio de Janeiro então, muito mais tranquilos, com a chegada das Forças Armadas.

Enquanto isso, podemos chegar a algumas conclusões: o golpe vai aos poucos tomando o formato para o qual foi arquitetado. Mas essa conclusão é recorrente. Temos duas novas conclusões que, ao menos, fazem com que o governo Temer aumente o nosso conhecimento: pela primeira vez, Dallagnol chega a uma convicção com provas. E também o Rubinho Barrichello não chegou atrasado. Ele chegou na “hora h”,  no mesmo dia  em que o homem que outrora só tinha convicção, teve uma cristalina prova… Do golpe.

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