CONGRESSO OU MANCHA CRIMINAL ?

congressoEles possuem “foro privilegiado” e, assim, só respondem por seus crimes perante o STF; eles quase nunca são condenados e arrastam denúncias e processos ao longo de infindos mandatos; eles fazem as leis que serão aplicadas a eles mesmos. Quem são eles? Falamos dos 594 integrantes do Congresso Nacional. São 513 deputados federais e 81 senadores. Todos eleitos democraticamente pelo povo. Desse total de 594, segundo dados do site Congresso em Foco, 238 estão sendo investigados por denúncias de crimes. Ressalte-se que, entre os denunciados, encontram-se os Presidentes da Câmara e do Senado. Isso sem contar alguns dos principais presidenciáveis para 2018.  Os dados são revoltantes: as acusações criminais contra os parlamentares cresceram 68% nos últimos dois anos; de cada 10 senadores, 6 respondem a acusações criminais no STF. Dá para entender a emblemática declaração do senador golpista Romero Jucá,  quando disse que “era preciso tirar a Dilma para estancar a sangria da Lava-Jato”. Jucá é um dos que mais tem denúncias e, em um país sério, ele e muitos outros já estariam na cadeia. O total de denunciados no Congresso está em torno de 40% de seus membros. Mas os números são dinâmicos e muito velozes. Quando perguntarem quantos parlamentares estão sendo investigados, nunca teremos o número exato. Escrevo no dia 27 de Julho de 2017 e não sei se os números acima já mudaram. Eu sempre digo: “tem que apertar o F5!”

O “cardápio” de tipificações é o mais diversificado que podemos imaginar: crimes contra o sistema financeiro, corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro, formação de quadrilha, crimes contra a lei de licitações, ameaça, lesão corporal, falsidade ideológica, crimes eleitorais, apropriação indébita, peculato, sonegação, falsificação de documento público, calúnia, injúria, evasão de divisas, tortura, tráfico de influência, crimes contra a segurança nacional, apologia ao estupro, invasão a estabelecimentos industriais… Será que temos um Congresso ou uma mancha criminal em Brasília? Até que ponto eles nos representam? Acrescente-se que não estamos contabilizando outros aspectos que indignariam qualquer cidadão, como quebra de decoro, comércio livre de votos (como fez Temer na CCJ), clientelismo…

E é esse Congresso que, no próximo dia 2 de agosto, irá aceitar ou não as denúncias contra Temer, igualmente envolvido em denúncias de crimes gravíssimos. E é esse Congresso investigado, sob suspeita, desacreditado e igualmente envolvido em várias tramoias, que votará pelo prosseguimento ou não das denúncias contra o Mordomo usurpador. Para quem pratica a gama de crimes acima relacionados, deixar-se cooptar por eufemismos como “liberação de emendas parlamentares” não significa nada. Os votos já estão comprados. Certamente Temer e sua camarilha se livrarão de mais essa, com assentimento de um Congresso em estado de putrefação. Caberá a nós, em 2018, decidirmos se queremos realmente um Congresso para legislar sobre os interesses do povo ou uma  mancha criminal travestida de parlamentares. Sob pena de,  dolorosamente, incluirmos na realidade de nossa democracia representativa uma máxima  do filósofo grego Anaxágoras: “o semelhante só gera o semelhante”. Mas eu ainda acredito que o povo brasileiro é bom. E espero que ele demonstre isso em 2018.

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