UM ANO DEPOIS: ENTRE PATOS E TUCANOS

patos amarelostucanosEscrevo na manhã do dia 25 de julho de 2017. As ruas estão desertas. O Congresso está vazio. O “Vem Prá Rua” está em casa. O MBL está parado. A letargia tomou conta dessa gente. Há pouco mais de um ano, em nome da “moralidade”, eles estavam nas ruas, pedindo o afastamento da Presidente Dilma: eram pedaladas fiscais, desemprego, corrupção. Todos indignados. Patrocinados pelos grandes empresários da FIESP, com apoio da grande mídia e vestidos de amarelos, os “patinhos-bonitinhos” e bem comportados protestavam Brasil afora. “Fora Dilma! E leve o PT junto”. Patos e tucanos chegavam ao gozo venéreo quando o deputado Bruno Araújo proferia o voto  “sim” de número 342 ao impeachment da Presidente, em sessão presidida pelo bandido Eduardo Cunha ( que hoje, como muitos outros bandidos, controla tudo de dentro da cadeia). Iniciava-se o que patos e tucanos chamaram de “era da regeneração”.

Hoje, vemos que todo tipo de crime, protagonizado pelo Presidente-golpista e toda sua quadrilha,  é como se fossem tolerados por eles. Corrupção, formação de quadrilha, obstrução de justiça, ameaça de morte a eventuais delatores, mala com meio milhão, Presidente negociando o silêncio de Cunha, Presidente em conversa subterrânea com empresário-bandido,  compra de votos, aumento dos combustíveis para repor o que foi dado aos deputados da CCJ…  Tudo bem. O negócio era tirar a Dilma. Enquanto os patos estão perplexos (parece que o Temer jogou neles aquela água que dizem que jogador argentino oferece aos adversários), os tucanos já caíram na real em relação à enrascada em que se meteram. O “sai-não-sai” do governo Temer é prova disso. Eles estão se corroendo, enquanto apoiam o governo mais impopular e ilegítimo da República. Mas o importante era tirar a Dilma. Será? Agora é tarde e hoje os próprios tucanos, um ano depois, sabem (embora muitos não admitam) que teria sido muito melhor deixar a Dilma terminar o seu mandato e fazerem oposição. Mas Aécio queria “incendiar o país”, como ele mesmo falou após ser derrotado em 2014.  Já disse, em outra oportunidade, que os tucanos se meteram foi numa ratoeira ao apoiarem o golpe e o governo golpista.  Profissional, Temer já chamou Paulo Skaf (aquele que disse que não pagaria o pato) para dizer que quem irá pagar é a sua claque. Claro que eles já se entenderam. Temer é Skaf e Skaf é Temer. A reforma trabalhista foi para o Skaf.  Resumo: o pato está voltando às suas origens e os tucanos sentindo-se como maridos traídos.

Mas, por onde andam os patinhos? Cadê os amarelinhos? Sumiram da Avenida Paulista. As panelas não emitem mais ruídos, as camisas da CBF do Ricardo Teixeira e do José Maria Marin estão desbotadas. Acho que estou começando a acreditar em algumas coisas, até na água dos jogadores argentinos. O que está acontecendo com essa gente? Acabou a pilha ou são robozinhos programados? Parafraseando o filósofo David Hume, seria muito bom que os patinhos amarelinhos despertassem de seu “sono enigmático”

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