PSB: DISSIDÊNCIAS E EXCRESCÊNCIAS

psb demA dissidência é uma atitude que tem se mostrado presente ao longo da história partidária brasileira, em legendas de todos os matizes ideológicos. Só para darmos alguns exemplos, o PSDB, o PSOL, o DEM, o PCdoB são partidos políticos originados de dissidências. E o PSB, o histórico Partido Socialista Brasileiro, também surgiu de uma dissidência da UDN, em 1947, quando a ala denominada “Esquerda Democrática” não compactuou com o viés direitista que a sigla passou a seguir. Já tivemos a oportunidade de falar sobre o PSB nesse espaço. No entanto, os fatos mais recentes obrigam-nos a abordar, novamente, o que leva esta sigla tão rica na história partidária brasileira ter caminhos tão incompreensíveis. O PSB resistiu. Viveu em sua história tempos de ilegalidade. Esteve ao lado das causas populares. Apoiou Lula em 1989. Mas apoiou Aécio em 2014. Após o golpe de 2016, alinhou-se ao governo de Temer. Com o escândalo do “Jaburugate”, foi o primeiro a deixar o governo golpista de Temer. O histórico do contraditório comportamento do partido permite que se fale qualquer coisa sobre ele. Escrevo no dia 19 de julho de 2017 e ainda estamos tentando entender a atitude de 10 deputados dissidentes do PSB. Eles continuaram no partido, mesmo depois do rompimento da legenda com o governo do Presidente golpista. E agora esse grupo está negociando a ida para o … DEM! Isso mesmo, para o DEM. Ou seja, deputados que são de um partido “socialista” negociando a ida para um partido “liberal”, matiz ideológico extremamente oposto.

A atitude desses 10 deputados, no momento em que Temer corre o risco de ser defenestrado, levou o Mordomo usurpador a entrar em atrito com Rodrigo Maia, o Presidente da Câmara, que é do DEM. Enquanto um tenta negociar a ida dos dissidentes para o PMDB, visando permanecer no poder, o outro negocia para ter os dissidentes no DEM, já pensando na composição de um futuro governo caso Temer venha a ser afastado em 2 de agosto. É uma briga em que não existe “mocinho”.

Definitivamente, há casos na política brasileira, cuja compreensão necessita ir além da ciência política. Porque, a se consumar a ida de dissidentes do PSB para o DEM, um dos partidos brasileiros mais à direita, não teríamos dissidência e sim excrescência, algo que vai além do razoável, do imaginável. E o pior: nas dissidências, geralmente o grupo que sai, tem por motivo o fato de se dizer “fiel aos princípios partidários”, denunciando o afastamento desses princípios por parte do grupo majoritário. Entenderíamos se dissidentes do PSB fossem para o PSOL, PT, PCdoB… Mas para o DEM? E sendo ainda cooptados por Temer para ingressarem no PMDB?

Há pouco tempo falei, nesse mesmo espaço, sobre a satisfação de ter o PSB de volta à esquerda, quando rompeu com Temer. E agora, vem a pergunta: o que esses 10 deputados faziam até então no PSB e por que não foram expulsos? Sim, porque eles não são dissidências e sim excrescências. Vão comer migalhas de casca de queijo nas patas das ratazanas… Só não sei qual delas: a do Planalto ou a da Câmara dos Deputados?

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