RESPONDENDO À FILOMENA: O BRASIL DE MUITAS BASTILHAS

bastilhaFilomena Bioni é minha amiga. Ótima pessoa. Ela não é milionária. Ela não é rica. Ela é minha amiga e colega de trabalho.  Ela é professora de Geografia da rede estadual do Rio de Janeiro. Embora já pudesse ter há muito tempo se aposentado, ela continua trabalhando. Sorte dos seus alunos. Sorte do nosso colégio. Sorte dos seus colegas. Hoje é dia 14 de Julho, uma data que entrou para o calendário internacional como o “Dia da Liberdade”. Comemora-se a Queda da Bastilha, evento que marcou o início da Revolução Francesa. A Queda da Bastilha representou a fúria de um povo injustiçado, oprimido, dilacerado pelos desmandos do clero e da nobreza. Naquela época, a burguesia estava do outro lado do balcão. Ela era desprezada e discriminada por nobres e clérigos. Então, todos juntos, o povo, em suas mais diversas segmentações, enfiou o pé na porta do símbolo físico do absolutismo e dos privilégios do clero e da nobreza. Foi uma revolução burguesa, mas o mundo começou a mudar e muitos dos seus efeitos são vistos até a atualidade.

Hoje minha amiga Filomena perguntou:  “Quando teremos a queda da Bastilha no Brasil”? Escrevo este artigo em um dia muito especial. E quero responder à amiga Filomena. Inicialmente, eu responderia replicando com uma outra pergunta: qual das Bastilhas? Estamos em um Brasil de muitas Bastilhas, nos três poderes políticos. Se pensarmos em Bastilha como à época da Revolução Francesa, ou seja, símbolo físico daquilo que representa tudo o que causa indignação ao povo, nem saberíamos por onde começar. Onde invadir? O Palácio do Planalto? O Congresso Nacional? O Supremo Tribunal Federal? O Tribunal Superior Eleitoral? O Palácio Guanabara? A Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro? Pois é, Filomena. São muitas Bastilhas. E todas elas hoje são motivo de vergonha para um povo que vem sendo massacrado por todas elas. Precisaríamos de muitos “14 de Julho”. E depois que elas caírem,  o que restaria? Temer, Jucá, Moreira Franco, Rodrigo Maia, Aécio,  Alexandre de Moraes, Pezão… Haja guilhotina, e aí só chamando o Robespierre! Logo vem à nossa  mente a ideia de destruição, revolta, violência… Mas esses não são os nossos valores.

Nossa diferença em relação ao povo francês de 1789 é que eles não tinham o direito de participação política. Não é o caso do povo brasileiro, pelo menos hoje. A democracia e o sistema representativo ainda são valores pétreos em nossa cultura política. Ainda teremos mais uma oportunidade no ano que vem. Os cerca de 150 milhões de brasileiros que irão às urnas em 2018 terão a oportunidade de terem milhares de Bastilhas para derrubarem. Cada urna será uma Bastilha. Podemos derrubá-las sim, usando as armas que ainda nos restam. Eu tenho certeza que a minha amiga Filomena, com seu voto, derrubará uma dessas Bastilhas. Cabe a cada um fazer a sua parte.

Acabaram com a CLT, acabaram com a Justiça do Trabalho, querem que o trabalhador morra trabalhando e não se aposente, limitaram os gastos públicos com educação e saúde. O que está faltando? Ao contrário de 1789, hoje a burguesia está do outro lado. Não conte com ela. Que cada eleitor, em 2018, use sua urna como uma tomada da Bastilha. Se der tempo. Porque, pelo andar da carruagem, pode ser que ano que vem os brasileiros estejam como o povo francês estava em 1789.  Aí, nem o voto será mais o caminho. Mas, por enquanto, não quero pensar na minha amiga professora Filomena pegando em armas. E certamente nem será preciso. Haverá muitos “sans-culottes” para isso…

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