TEMER: UNANIMIDADE NEGATIVA

temerQue o governo Temer é ilegítimo e impopular, todos sabemos; que o governo Temer é um dos mais corruptos da história, também sabemos; que o governo Temer está trazendo grandes retrocessos em termos de política social, econômica, cultural e educacional, também sabemos. Mas, depois de pouco mais de um ano do golpe que o levou à Presidência, não esperávamos que o governo golpista se tornasse quase que uma unanimidade em termos de rejeição. Os dados são impressionantes. Pesquisa da Ipsos Public Affairs revela que 85% dos brasileiros consideram o governo Temer ruim ou péssimo e (pasmem!) 94% desaprovam a atuação do Presidente golpista. Trata-se da pesquisa Pulso Brasil, que é realizada mensalmente desde 2005.  Acrescente-se que, na gestão Temer, desde 2016, a desaprovação só vem crescendo, chegando quase que a uma unanimidade nacional. Nem os ditadores militares atingiram números de desaprovação tão estratosféricos. Temer consegue desagradar tanto a FIESP de Paulo Skaf (que apoiou o golpe) como o trabalhador de baixa renda. Dizem que ninguém pode governar para todos. Parece que Temer não está governando para ninguém, apenas para sua camarilha de aliados corruptos e devedores da Justiça, que visam, como confessou o próprio Romero Jucá, estancar a Lava Jato, num grande acordo com o Judiciário, e  para usarem o manto vergonhoso do foro privilegiado e não responderem por seus crimes, a começar pelo próprio Temer.

A agenda de Temer tem sido desastrosa em todos os aspectos; a reforma trabalhista é a reforma dos patrões e empresários; a reforma da previdência é a volta da escravidão; o desemprego está aumentando; o Brasil está voltando ao mapa da fome; os escândalos protagonizados por Temer e seu alto escalão são assustadores; a compra de votos está evidente. Há uma nítida disposição de Temer e seus aliados fazerem de tudo para se manterem no poder até 31 de dezembro de 2018. E não precisa nem mais ser nos porões do Jaburu. É tudo às claras, ao vivo na TV. Acabou (se é que algum dia houve) a vergonha e o escrúpulo dos saqueadores que tomaram o país de assalto.

Apesar dos números impressionantes, divulgados por uma das empresas mais idôneas de pesquisa, impressiona ainda mais a letargia que tomou conta do país. Até a classe média (que pensava que era alta) e foi às ruas pedir a saída de Dilma, impressiona com a sua inércia. Geralmente a classe média é muito sensível a escândalos, possui um perfil moralista e é contra aumento de impostos. Mas nem com tudo indo contra o seu perfil, ela é capaz de se mobilizar como se mobilizou (ou se deixou levar) no caso da ex-Presidente Dilma. Evidentemente, a classe média foi ouvida na pesquisa e ela está nos 85% e nos 94% que não toleram Temer.

Há um detalhe que não podemos deixar de mencionar: quando Aécio perdeu a eleição em 2014, o tucano disse que iria incendiar o país (antes de dizer que mataria delatores). E não é que essa vitória o tucano conseguiu? O país está em chamas. Começa a ficar claro um conflito entre os poderes, o que já transcende a crise política, podendo levar o país a uma crise institucional. Existe uma clara guerra entre o Executivo/Legislativo, a PGR, setores do Judiciário, Ministério Público e Polícia Federal. A votação do dia 2 de agosto já tem seu resultado comprado por Temer. Mas novas denúncias virão. O balanço do resultado do impeachment da Dilma ainda não pode ser fechado. A cada dia novos fatos, novas denúncias, novas cooptações.

Estamos a uma semana do dia 2 de agosto. Se o Congresso fosse a voz que emana do povo, a denúncia da PGR seria aceita por, no mínimo, 85% dos deputados federais. O Congresso ainda tem uma, talvez última chance, de mostrar que representa o povo. Mas tudo leva a crer que eles estão nos 6% que aprovam o golpista do Jaburu. Que o troco a esses pulhas venha em 2018!

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