SÃO JANUÁRIO: O VIETNÃ DAS ELITES

são januárioNosso blog é sobre política. Nosso blog é sobre história. Nosso blog é sobre atualidades. São Januário é política. São Januário é história. E São Januário é o assunto da atualidade. Na verdade, São Januário é atualidade há 90 anos. E a primeira derrota viria logo na inauguração. Em 21 de abril de 1927 ainda faltavam 13 anos para Pelé nascer, mas o Santos derrotava o Vasco por 5 a 3 no jogo inaugural do oficialmente denominado “Estádio Vasco da Gama”. Era um jogo amistoso. Era um jogo festivo. E o Vasco perdeu. Mas o Vasco ganhou porque, a partir daquela data, o Vasco erguia um monumento que simbolizaria um rotundo “não” ao racismo; um monumento que simbolizaria um rotundo “não” ao elitismo. Um monumento que, muito além da união luso-brasileira, significaria a inclusão social e traria, doravante, o ódio e as porradas, vindas de todos os lados de seus declarados inimigos (e não apenas adversários) da Zona Sul. Mesmo com sabotagens oficiais, por parte do Presidente da República, Washington Luís, chamado pelo povo de “Doutor Barbado”, que vetou a importação do cimento belga, mesmo tendo que lutar  contra a união elitista-zona-sulista, liderada pelo Sr. Arnaldo Guinle, estava erguido,  na Zona Norte, com recursos próprios, o monumento antirracista e antielitista. Ali Vargas faria os seus comícios. Ali Vargas assinaria a CLT, que hoje querem acabar através das reformas Temer-PSDB; dali sairiam aviões doados à FEB na Segunda Guerra para combater o nazi-fascismo. O Estádio seria um dos maiores da América do Sul e, por tempos, até a inauguração do Maracanã, em 1950, era o palco principal do futebol carioca e brasileiro. Em poucas palavras:  uma espinha entalada na garganta dos clubes elitistas e seus defensores na grande mídia. Pior do que isso (para eles): popular, e não “populista”, como são alguns. Essa foi a maior de todas as vitórias do Vasco. Mesmo com as porradas vindas do outro lado do túnel, São Januário tornou-se algo análogo ao Vietnã em relação aos EUA: gozos efêmeros com Iraques e Afeganistões, mas o eterno incômodo do Vietnã. O problema, para eles, não é a construção, o concreto, o cimento. O problema é o que aquele templo simboliza. Deplorar São Januário virou lugar-comum para eles, assim como bushistas e trumpistas deploram vietnamitas e muçulmanos. “Chiqueiro”, “não tem segurança”, “é difícil o acesso”, “está mal localizado”  (olha a favela aí gente!)… E por aí vai.

As cenas criminosas de barbárie e vandalismo protagonizadas por bandidos no estádio no último sábado são muito piores do que qualquer derrota em campo. Quem fez aquilo não é vascaíno. E nem flamenguista, porque até o verdadeiro flamenguista sabe o que o estádio simboliza. Se um flamenguista quebrar São Januário (como aconteceu no jogo anterior, em que eles perderam), estejam certos de que estão quebrando aquilo que representa o que eles certamente defendem, embora torçam para outro clube. Jogar bombas no campo? Explodir histórias e vitórias? Com qual interesse? Cenas como aquelas não são inéditas. Já ocorreram em vários estádios. Mas deplorar o território que simboliza,  fora de campo,  a vitória de bandeiras  que eles tanto odeiam… Aí então é uma oportunidade e tanto. Parecem até o George Bush falando sobre o Iraque em 2003: “ali não é seguro; ali tem um ditador ; ali existem facções”… Basta ler Calazans, Kfouris, Gilmares, Marlucis, Prados e seres afins.

O Vasco ainda será muito deplorado por esses acontecimentos. Infelizmente essa foi a maior vitória de alguns deles. Mas como tudo na vida, será superado e eles ainda ficarão mais 90 anos sem dormir porque sabem que ali não é o Iraque e sim o Vietnã. Foi fácil derrubar a Favela da Praia do Pinto. Mas na Barreira são outros quinhentos…

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