FERIADO EM SÃO PAULO: O “9 DE JULHO” E SEU SIGNIFICADO 

revolução constitucionalistaHoje é dia 9 de Julho. Hoje é feriado no Estado de São Paulo, embora tenha caído em um domingo. Há exatos 85 anos começava uma insurreição em São Paulo que, oficialmente, passou para a história com o nome de “Revolução Constitucionalista”. Era o ano de 1932 e as elites paulistas, afastadas do poder desde a ascensão de Vargas, em 1930, não aceitavam ter perdido o controle político do país. Então, pegaram em armas para tentar depor o Presidente. Curiosamente, não se fala em “agitação” ou “terrorismo”. Eles foram “heróis”. Ano passado, por ocasião do circo protagonizado no Plenário da Câmara dos Deputados durante a votação do pedido de impeachment da Presidente Dilma, o deputado neofascista Eduardo Bolsonaro dedicou o seu voto “aos revolucionários paulistas de 1932”, enquanto seu pai exaltava um torturador do regime militar. Bem sintomático. Pelos seus defensores e exaltadores, já dá para termos uma ideia do que representou o 9 de Julho de 1932.

É claro que em 1930, quando Vargas tomou o poder, também não houve revolução. A estrutura econômico-social não foi alterada e uma nova classe não tomou o poder. O que houve foi um realinhamento das elites no poder. E esse realinhamento contrariou os interesses da oligarquia paulista, principalmente a casta de cafeicultores que foi, durante toda a Primeira República, dona do poder, dos votos fraudados e dos benefícios. Tratava-se de uma oligarquia articulada ao mercado externo, mas que começou a se deteriorar antes mesmo da chegada de Vargas ao poder, pois a Crise de 1929 afetaria decisivamente os seus negócios e, também, o seu poder político.

O grupo que toma o poder em 1930, liderado por Vargas, também era oligárquico. Porém, tratava-se de uma burguesia nacional, articulada ao mercado interno e, visando desenvolvê-lo, incentiva a produção industrial, juntamente com o desenvolvimento de uma incipiente legislação trabalhista. Isso daria algum poder de consumo à população, o que resultaria nos lucros da camada constituída pela burguesia nacional.

Fora do foco do poder, os paulistas jamais aceitaram perder o controle da vida política nacional. Naquela ocasião, a mobilização da elite paulista levou a uma campanha que arrecadou donativos vindos de todas as partes do Estado. Tratava-se de uma questão de patriotismo (para os paulistas).  A “Paulicéia” dava como uma das razões para a revolta  a falta de uma Constituição. A de 1891 já tinha ido para o vinagre e a de 1934 ainda não tinha começado a ser escrita. Vargas governava por decretos, como chefe de um governo dito “provisório”.

Os paulistas perderam e o próprio Vargas não chegou a ter um espírito tão vingativo como se poderia pensar. Houve prisão de alguns líderes. Mas Getúlio, em sua inteligência política, via que tinha que recompor o cenário, compondo politicamente com os grupos insatisfeitos. Parece que Getúlio não salvou apenas o seu governo. Sabe-se que ele já falava em suicídio caso os paulistas vencessem. Mas 1954 ainda estava longe e Lacerda ainda não era nem uma silhueta, muito menos um fantasma.

Mas a FIESP lá estava, apoiando os revoltosos paulistas. E não adiantava ela mandar sua claque se vestir de camisa amarela da seleção, porque, naquela época, a camisa da seleção brasileira era branca. E o branco lembra paz. Eles queriam a guerra.

Não é à toa que São Paulo tonou-se anti-getulista e anti-trabalhista. Talvez essa tenha sido uma vitória dos paulistas. O estado mais industrializado do país, tornou-se impermeável aos ideais de Vargas e seus seguidores, como por exemplo, Brizola. Talvez essa seja a grande herança histórica da malograda “Revolução de 1932”, que causa tanto orgulho aos Bolsonaros e seres afins.

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