ESCÂNDALO NOS TRANSPORTES: ENTRE TRAÇAS E BARATAS

ônibus 910Quem viaja nos ônibus da linha 910, que vai até o Bananal, na Ilha do Governador, depara-se frequentemente com baratas no interior do veículo. Isso sem falar nos bancos em péssimo estado, peças soltas, campainhas que não funcionam e toda péssima qualidade de serviços que marcam os  transportes públicos no Rio de Janeiro. Ironicamente “Barata” é a dinastia de empresários milionários que oferece serviços horríveis e caríssimos à população carioca e fluminense: Jacob Barata, o pai, mais conhecido como “rei dos ônibus”; Jacob Barata, o filho, aquele que tentou fugir para Portugal. Foi a família Barata que, em 2013, por ocasião do casamento da neta do patriarca do clã, jogou dinheiro em tom de humilhação e deboche para o povo que protestava na porta da festa, exigindo melhores serviços e preços justos. O Presidente do Sindicato das Empresas de Transportes Rodoviários, Marcelo Traça Gonçalves, é o grande defensor dos interesses dos mega-empresários. Barata e Traça. Os mandachuvas dos transportes rodoviários. O Barata filho e o Traça acabam de ser presos. Mas somos céticos. Eles são ricos. Eles têm influências. Eles têm amigos poderosos no Executivo, no Legislativo e, infelizmente, também no Judiciário. Eles também têm amigos presidiários. Sérgio Cabral Filho, o mega-ladravaz, é um deles.

Sou do tempo da CTC, da CONERJ, da RFFSA… Uma época em que o controle dos transportes era estatal. Privatizaram todos os transportes. Os serviços são caros e péssimos. E quem foi que disse que privatizar seria a solução?

O atual escândalo dos transportes rodoviários do Rio de Janeiro, que está sendo desnudado pela “Operação Ponto Final”,  é algo muito antigo. O povo nunca entendeu o porquê do aumento das tarifas, o porquê do fim de várias linhas de ônibus, o porquê da chamada “racionalização”, que só piorou a vida dos usuários de transportes coletivos e beneficiou, sempre, os empresários. Nunca houve transparência. Tudo sempre foi na base da negociata entre empresários e governos, incluindo-se aí Executivo e Legislativo. O ex-governador e bandido Sérgio Cabral ganhava prêmio por cada reajuste de tarifa. Acumulou milhões vendendo a confiança do povo.  A cúpula criminosa dos transportes rodoviários do Rio está presa: Barata Filho, Traça, o ex-Presidente do DETRO Rogério Onofre, o Presidente da FETRANSPOR Lélis Teixeira e outros bandidos engravatados (tipo aqueles que dizem que “bandido bom é bandido morto!”).

Parece que agora o povo do Rio de Janeiro começará a entender porque vereadores, no âmbito municipal, e deputados, no âmbito estadual, nunca permitiam que se instalassem CPIs dos transportes. E, infelizmente, os bandidos engravatados sempre venciam. Se as investigações forem levadas a fundo, ninguém, escapará: o Executivo já está identificado. Mas faltam deputados e ex-deputados, vereadores e ex-vereadores,  que sempre blindaram os bandidos empresários e votavam a favor de seus interesses. A coisa vai chegar em financiamentos de campanhas eleitorais. Também são suspeitas certas decisões judiciais inexplicáveis; isso sem falar que o Tribunal de Contas do Estado, em que quase todos os conselheiros estão afastados. Todos certamente estão envolvidos. As investigações têm que ir até o fim. Todos os poderes devem ser investigados. Mas prender não basta. Tem que tirar tudo dessa máfia. Para que eles fiquem até sem casa para prisão domiciliar. E que o povo trabalhador do Rio de Janeiro não fique mais entre traças e baratas…

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