ROBERTO JEFFERSON E GAVRILO PINCIP

gavrilo principroberto jeffersonEscrevo no dia 28 de junho de 2017. Há exatos 103 anos o estudante sérvio-bósnio Gavrilo Princip assassinava a tiros, em Sarajevo, o príncipe herdeiro do trono austro-húngaro,  Francisco Ferdinando,  e sua esposa, Sofia.  O episódio daria início à Primeira Guerra Mundial, o que traria desdobramentos que presenciamos até hoje. Da Primeira Grande Guerra (1914-1918) sucederam-se o Fascismo, o Nazismo, a Crise Capitalista de 1929, a Segunda Guerra, a Guerra Fria… Tudo numa sucessão onde percebemos que,  até hoje, problemas que não foram solucionados no Mundo, como a questão de nacionalidades e minorias étnicas, por exemplo,  ainda são resultantes da Primeira Guerra. Gavrilo Princip, na época considerado “terrorista” pelo governo austro-húngaro, e “herói” para os sérvios, não tinha noção de que o seu ato representaria não  apenas mais um capítulo na luta pela independência da Bósnia do Império Austro-Húngaro. O primeiro tiro da Primeira Guerra, que não foi dado por um militar e sim por um estudante,  mudou o Mundo e até hoje sofremos suas consequências.

Abril de 2005, Brasil. O deputado federal Roberto Jefferson, do PTB, então aliado do governo Lula, do PT, manda filmar o funcionário dos Correios, Maurício Marinho, recebendo uma propina de 3 mil reais, algo tão inaceitável como tão irrisório,  se comparado aos milhões e milhões que seguiriam-se logo após a gravação desse até então anônimo funcionário de carreira dos Correios aceitando um mísero suborno. Esse ato de Jefferson pode ser considerado o primeiro tiro de uma avalanche política que ainda varre o Brasil até hoje.  O primeiro tiro dado por Roberto Jefferson iniciou uma guerra que ainda se arrasta e que tem no momento político crítico e turbulento grande parte de seus efeitos.  Esse primeiro tiro acabou por nos mostrar, claramente, as subterrâneas relações entre empresas e governo, e também que,  sem sabermos, estávamos financiando campanhas milionárias. Financiamento público com ares privados. Com o nosso dinheiro. Começava a vir à tona  o que ficou conhecido como “mensalão” o que, diga-se, para o bem da verdade, que não foi uma invenção petista, como muitos querem pensar e a mídia tenta passar.  Foi uma invenção tucana de 1998, em Minas Gerais, tendo-se o primeiro registro com Eduardo Azeredo, do PSDB, que chegou a ser presidente do partido tucano.  Muitos nem sabem disso, porque a mídia geralmente fala em “mensalão mineiro”, quando deveria falar em “mensalão tucano” ou “tucanoduto”.

A sucessão de fatos que seguiram-se ao primeiro tiro dado por Roberto Jefferson chegaria ao homem-forte do governo Lula, o então Ministro da Casa Civil José Dirceu e, a partir de então, vários protagonistas, dentre empresários e políticos, iriam aparecendo: o empresário e operador do esquema, Marcos Valério, tornaria-se o ícone das relações espúrias entre governo e empresas. E ainda não imaginávamos o que viria pela frente:  Marcelo Odebrecht e Joesley Batista, só para darmos alguns exemplos.

O que ocorre hoje no Brasil nos permite fazer uma rápida comparação entre os papéis de Gavrilo Princip e Roberto Jefferson, passados mais de 100 anos entre os dois momentos. O tiro de Princip fomentaria ódios, discórdias, vinganças, e o exacerbamento de lutas ideológicas. O tiro de Roberto Jefferson não fomentou coisas diferentes. Talvez possamos também apontar diferenças entre os dois personagens. E uma delas é que Gavrilo Princip não teve prisão domiciliar, não fazia dieta à base de salmão, água de coco e geleia real e morreu tuberculoso na prisão. Já Roberto Jefferson valeu-se de prisão domiciliar em sua mansão na aprazível cidade de Levy Gasparian e hoje está de volta ao cenário político,  babando de raiva da esquerda e voltando a aflorar os seus  instintos mais primitivos…

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