VALE TUDO. MENOS PEDALADAS FISCAIS!

pedaladas fiscaisEntão tá combinado. Vale tudo. Parodiando o saudoso “síndico” Tim Maia, vale o que o Temer quiser, vale o que vier.  Vale corrupção passiva. Vale obstrução de Justiça. Vale até formação de quadrilha. Ah, e no caso do Aécio, vale até ameça de homicídio. Só não vale “pedaladas fiscais”. As denúncias do Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot,  contra o Presidente golpista, ilegítimo e impopular, Sr. Michel Temer, são mais do que robustas. São conclusivas. Com a devida vênia do meu eterno ídolo Tim Maia, uso trecho de um de seus sucessos. Sei que o “síndico” estaria indignado com a ação do Mordomo-golpista.  O diálogo gravado pelo empresário-bandido nos porões do Jaburu com o chefe da quadrilha diz tudo, por si só. E a gravação é autêntica e sem edições,  conforme concluiu a perícia oficial da Polícia Federal, ao contrário do laudo do perito pago por Temer, Ricardo Molina, para tentar desqualificar a prova de seus crimes.

Pela primeira vez na história republicana um Presidente da República é denunciado ao Supremo Tribunal Federal no exercício do cargo. Mas esse momento singular da história brasileira tem tudo para ter um desfecho vergonhoso. Isso porque os golpistas se uniram mais uma vez. Agora, por outro motivo. Não para tirar alguém do governo por pedaladas fiscais. É para salvarem-se uns aos outros. É para manter no governo, nos ministérios, nos cargos legislativos, pessoas com evidências robustas de crimes como corrupção, obstrução de justiça, formação de quadrilha, lavagem de dinheiro, ameaça de morte. E, nesse momento, o PMDB precisa do PSDB e o PSDB precisa do PMDB; o Temer precisa do Aécio e o Aécio precisa do Temer. O “acordão da vergonha” está traçado. Para a denúncia de Janot ser aceita, são necessários, constitucionalmente, 342 votos dos 513 deputados federais. PMDB, PSDB, DEM,SDD e outras siglas cúmplices não darão essa maioria, que corresponde a dois terços da Câmara. Não é à toa que o Mordomo-usurpador declarou, recentemente, que “ninguém irá derrubá-lo e nem a seus ministros”. O “acordão da vergonha”, fechado no Palácio do Planalto, tem um escopo muito maior do que a manutenção do Mordomo-usurpador no poder. Vários de seus cúmplices que ocupam Ministérios ou cargos legislativos certamente ficarão impunes. Moreira Franco (vulgo “Angorá”), Romero Jucá (aquele que confessou em gravação que o impeachment da Dilma era um golpe para travar a Lava-Jato), Aécio Neves (o senador-bandido que levou 2 milhões em propina e disse que mataria o delator, seu próprio primo), Paulinho da Força, isso só para citarmos alguns, estão todos no “acordão”, que livrará Temer e seus comparsas da Justiça. Chama muito a atenção a ausência dos “indignados de 2016”. MBL, FIESP, “Vem Prá Rua” e, de um modo geral, a claque de patos amarelos, aqueles que chegaram a colocar as vísceras para fora clamando pelo pedido de impeachment da Dilma desapareceram, deitados eternamente em berço esplêndido. Hoje, basta um Presidente ter maioria na Câmara, sendo essa maioria cheia de cúmplices, para que seus crimes fiquem impunes. E a “indignação dos indignados” some em uma hora como essas. Temer falou, ao tungar o mandato legítimo de Dilma, que seu objetivo seria apenas “entrar para a história”. Vai entrar. Por ser golpista, por ser o primeiro Presidente ainda no cargo denunciado por crimes ao STF e, certamente, por conseguir escapar da Justiça por um acordo vergonhoso e manter-se na Presidência. Mas Temer e sua gangue não fazem a história sozinhos. Os deputados que votarem contra a aceitação da denúncia da PGR também entrarão para a história como cúmplices. E saberemos quem eles são, pois o voto é aberto. Penso ainda naqueles milhões que, no ano passado,  foram às ruas convocados pela Globo, pela Veja, pelo MBL, pela FIESP para pedirem o impeachment da Dilma e chegaram ao gozo venéreo com o êxito de sua ações. Eles entrarão também para a história, por não terem tolerado pedaladas fiscais e créditos suplementares sem autorização do Congresso. Mas por terem tolerado corrupção passiva, obstrução de Justiça e formação de quadrilha. Eles, de uma certa forma, não deixam de ser tão cúmplices quanto os agentes desses crimes. Só os absolvo porque, por outro lado, eles também foram feitos de babacas-inocentes-úteis. Mas a história não os absolverá. Isso, para eles, pouco importa. Temer e sua quadrilha agradecem.

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