PSDB: DA SOCIAL-DEMOCRACIA AO DIREITISMO OPORTUNISTA

psdb fundaçãoAlguns partidos políticos possuem uma trajetória histórica que nos surpreendem. Isso pelo fato de seus princípios terem mudado tanto ao longo do tempo, a ponto de nem acreditarmos no que esses partidos foram no passado. É o caso do PSDB. Ele nem sempre foi de direita. Claro que há os famosos “discursos de campanha” e “discursos de governo”. O PT também passou por isso: de “movimento” a “instituição”. Mas no caso do PSDB foi além do permitido e imaginável. Não falo apenas de seu pragmatismo presente, em que o apoio a Temer é visto como essencial para 2018 (leitura que eu discordo). Mas, vejamos a história dos tucanos.

Corria o ano de 1988 e a Assembleia Constituinte entrava em um momento crucial: a votação dos direitos sociais. Havia um grupo conservador majoritário do PMDB que fazia parte do “Centrão”. O “Centrão”, naquela época, era a ala conservadora do PMDB que queria barrar as conquistas sociais na Constituição. Mas não era só o PMDB. O PMDB, como sabemos, ainda era uma “frente”, mesmo depois de alguns anos do fim do regime militar. No entanto, um grupo progressista do PMDB, que contava com nomes como Fernando Henrique Cardoso, Tasso Jereissati, José Serra e outros, não aceitava a postura majoritária do PMDB de se posicionar contra os avanços sociais na Constituição e esse grupo dissidente saía do PMDB e formava o PSDB (Partido da Social-Democracia Brasileira). O programa do recém-criado PSDB tinha um viés centro-esquerdista e seria uma opção para fazer frente aos partidos de direita. Em 1989, um ano após sua fundação, embora o PSDB não tenha participado da Frente Brasil Popular, que lançou Lula à Presidência, o partido acabaria apoiando Lula no segundo turno contra o candidato da direita, o “caçador de marajás” (essa postura do PSDB, hoje, seria impensável). Foi um momento singular da história tucana: ver Mário Covas pedindo votos para Lula. Mas parece que o eleitor tucano já começava a dar o tom do que seria o partido no futuro: não houve a transferência de votos de Mário Covas e Collor ganhou, para alívio das elites.

A primeira grande guinada para a direita do PSDB e sua desidentificação com a social-democracia ocorreria em um dos principais momentos da história tucana: em 1994 FHC ganhava a Presidência da República e suas medidas mostravam que o governo tucano já não representava as demandas de suas origens. FHC, segundo dizem, chegou a proferir a famosa frase “esqueçam o que escrevi!” Ele  havia sido um ícone das esquerdas nos anos 70 e suas obras inspiraram gerações de esquerdistas. Se, como senador, FHC ficou indignado com a tentativa de supressão dos direitos sociais, agora, como Presidente, ele próprio realizava tudo ao contrário do que  preconizara anteriormente. Nada como alguém do legislativo ir para o executivo para sabermos quem realmente ele é. O PSDB começava a se “endireitizar” (com a devida vênia do vocábulo, que não existe em nosso vernáculo).

Daí em diante, a história tucana é conhecidíssima: mais um mandato de FHC, com um governo neoliberal, apesar do “social-democrata” na sigla do partido: privatizações, ataques a direitos trabalhistas e previdenciários. Em dois mandatos de governo tucano, o PT cresceu. Serra, Alckmin e Aécio não conseguiram manter os tucanos, agora neoliberais, no poder. O partido assumiu sua posição de direita, não com alianças estratégicas, mas com práticas, ideias e lideranças que representavam a mais pura direita neoliberal.

Estamos em 2017. O Presidente do Partido, Aécio, foi afastado do Senado pelo STF e só não está preso porque tem o manto maldito do foro privilegiado. Serra e Alckmin, nomes históricos dos tucanos, estão desmoralizados com citações  em delações que envolvem propinas milionárias. O partido já não tem mais escrúpulos e, desesperado, resolveu apoiar o carcomido, impopular, criminoso e ilegítimo governo Temer, por puro pragmatismo. Está claro que eles pensam em 2018. Mas é claro que muitos “cabeças brancas” querem mesmo é se salvar. Vejo que muitos ficarão é sem cabelos (sem nenhuma provocação ao Serra) e também sem votos. Porque a cada dia que eles estiverem ao lado do Temer, denunciado por corrupção, obstrução de justiça e formação de quadrilha, mais votos eles irão perder. É uma pena, que em quase 30 anos de história o PSDB, que era uma opção de centro-esquerda, tenha se tornado tão direitista e oportunista. Oportunismo que lhe custará caro. E nem adianta chamar o “engomadinho do Tietê”. Até porque, lembrando outros tempos do partido, ele só vai comer pastéis em lanchonetes. Nunca provará da buchada de bode. Aí já é demais para o “Jânio de Grife”. O Nordeste te aguarda “cabra da peste”!…

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