PMDB – O GOVERNISMO OPORTUNISTA E SEM VOTOS

pmdb.jpgO PMDB, uma continuidade do antigo MDB dos tempos do bipartidarismo, é o maior partido político brasileiro. Seu surgimento remonta à Reforma Partidária de 1979, quando o governo militar, visando dividir as oposições, flexibilizou as exigências para a formação de novos partidos, reinstalando o pluripartidarismo no Brasil. Porém, muitos dos antigos militantes do antigo MDB viam que o partido deveria se constituir em uma “frente” contra o regime militar e entendiam que o partido não deveria se fragmentar, embora abrigasse diversos matizes ideológicos. Por algum tempo, durante os anos 1980, poderíamos dizer que o PMDB era uma “frente”. No entanto, há bastante tempo que o PMDB pode ser resumido a uma única palavra: “governismo”. Só para termos uma ideia: desde o fim dos governos militares, o PMDB ou foi governo ou foi parte fundamental na base de apoio do governo. Nunca deixou de ser governo. Há um aspecto interessante no PMDB: ele é o maior partido, tem as maiores bancadas, tem gigantesca estrutura em termos de diretórios (herdada até dos tempos do bipartidarismo). Mas nunca conseguiu eleger o Presidente da República. Parece que o papel do PMDB é oferecer sua grande bancada e estrutura como moeda valiosa de barganha. E por isso, mais do que qualquer partido, ele foi o que mais esteve no governo. Mesmo sem ganhar uma eleição para Presidente. E, quando o PMDB chegou à Presidência, a mesma caiu em seu colo: foi com Sarney, em 1985 em virtude da morte de Tancredo; foi com Itamar em 1992, com o impeachment de Collor e agora, em 2016, com Temer, após o golpe legislativo-midiático que tirou Dilma do poder. Ao chegar à Presidência (mesmo sem votos) ou ao ser base de apoio de todos os governos de 1985 para cá, o PMDB participou de planejamentos econômicos, políticas públicas, mudou planos de governo como condição para oferecer seu apoio e isso nos leva, sem nenhum risco, a dizer que, aquilo que o Brasil é, nos últimos 33 anos, é muito mais resultado do PMDB do que dos outros partidos que elegeram presidentes.

Hoje, o PMDB é governista e também governo. Um governo impopular, talvez o mais impopular de toda história; um governo atolado em escândalos, onde, toda semana um ex-ministro ou deputado ligado a Temer é preso, delatado ou denunciado. Os poucos que restam, como Moreira Franco, vulgo “Angorá”, estão protegidos pela membrana imoral do tal foro privilegiado. Até o Temer precisa desse maldito instituto para não ser preso. O escândalo do “Jaburugate” é apenas uma amostra do estado de putrefação moral e política a que chegou o PMDB. Saudades de Ulysses Guimarães e Teotônio Vilela. Hoje, em seus lugares, temos Eduardo Cunha e Romero Jucá. Sabemos que muitos outros partidos também passam por situação similar. Mas o PMDB, que tanto chantageou governos quando não era governo, hoje vive uma situação em que podemos dizer que está no fio da navalha. Por quê?

Porque 2018 se aproxima e o PMDB não está no jogo presidencial. A eleição para presidente vai ser disputada entre PT, PSDB e uma provável terceira via que não será o PMDB. Independente do julgamento do TSE, mesmo que seja favorável ao Temer e sua camarilha, quem vai fazer o “papel de PMDB” é o PSDB. Porque seja qual for o resultado desse julgamento, apoiar o governo do Mordomo até 2018, para quem tem pretensões à Presidência, vai ser uma “máquina de tirar votos”. Por isso, o PSDB certamente não ficará nessa canoa furada. E aí o governo Temer acaba.

O oportunismo sempre foi uma marca registrada do PMDB. Apoiar quem está no poder, chegar à Presidência sem votos, chantagear candidatos e governos em razão de sua imensa bancada. Sabe-se que uma ala mais jovem do PSDB, que ainda tem pretensões políticas mais futuras, não quer permanecer na base de apoio ao agonizante governo Temer. E sabe-se também que o PMDB não tem candidato e muito menos votos para Presidente em 2018. Já o PSDB tem. O algoritmo é simples: salvar o governo do Sr. Temer e dificultar ainda mais uma eleição difícil e acirrada como será a de 2018? Não, obrigado. Para azar do Sr. Temer, Fernando Henrique sabe disso. E o desembarque tucano será uma questão de tempo. Mas aí teremos mais um outro capítulo intrincado de nossa agitada e pitoresca história política. Pitoresca porque, acreditem, existe uma campanha, talvez inédita na história da humanidade, pelas “indiretas já!” Vai explicar isso!…

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